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Entidades unem-se pela Agroecologia no Oeste do Paraná

14 organizações estão integradas para disseminar e promover a agroecologia em uma das maiores regiões do agronegócio brasileiro

Estima-se que pelo menos 50 mil pessoas viram na prática como é possível produzir alimentos seguindo princípios agroecológicos de manejo. Isso ocorreu a partir da Vitrine Tecnológica de Agroecologia, durante o 32o Show Rural Coopavel. O evento foi realizado em fevereiro, no município de Cascavel.

A Vitrine foi constituída dentro da maior feira de agronegócio do País há 17 anos. Hoje integra 14 entidades em torno de um objetivo comum: socializar e promover a agroecologia. Os números obtidos dentro da Vitrine representam parte deste trabalho coletivo. Em 2020, mais de 70 tecnologias de manejo e mais de 300 espécies de cultivo foram apresentadas em 11 áreas construídas no espaço de 4,4 mil metros quadrados, dentro do Show Rural.

“O espaço transformou-se em uma grande sala de aula a céu aberto e num centro de irradiação de técnicas e tecnologias de manejo eficientes a fim de oportunizar o direito humano à alimentação saudável e nutritiva por meio de um sistema de produção que gera saúde ao ambiente e às pessoas”, explica o assessor do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), Núcleo de Marechal Cândido Rondon, e atual coordenador da Vitrine Tecnológica de Agroecologia, Luiz Carlos Hartmann.

As milhares de pessoas que visitaram a Vitrine neste ano puderam ver, entre outras práticas agroecológicas, as de horta urbana, aquicultura, produção animal, sistema agroflorestal, culturas anuais, plantas medicinais e não convencionais comestíveis. Além de outras tecnologias para constituir ambientes com práticas ecológicas, como a utilização de energia renovável no aquecimento de água. Também teve espaço para rodas de conversa, comercialização de produtos e venda de livros relacionados à agroecologia e outros temas.

Além do CAPA, atualmente integram a Vitrine: as universidades Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Federal do Paraná (UFPR) e Federal da Fronteira Sul (UFFS), Itaipu, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Rede Ecovida, Instituto Pedra da Mata, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Coopavel, Gebana e Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná (Biolabore) e Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA).

Cooperação e Integração para a Agroecologia

Em 2020, o tema da Vitrine foi “Cooperação e integração para a Agroecologia”. A temática resume o sentimento coletivo do grupo de organizações. Ao longo de todo ano, elas se mantêm unidas, promovendo pesquisas e cursos de formação. Essas iniciativas envolvem as equipes técnicas, pesquisadoras e pesquisadores, além de estudantes e famílias que produzem em sistemas agroecológicos, ou que têm interesse em começar um.

O CAPA têm atuado ativamente na construção do espaço. “Nós acreditamos na importância do trabalho coletivo para disseminar a agroecologia e temos envolvido os profissionais da equipe na construção da Vitrine, cujas ações e resultados impactam positivamente o contexto territorial”, destaca um dos coordenadores do CAPA Rondon, Jhony Luchmann.

A engenheira aquicultura Micheli Becker é uma das outras profissionais do CAPA envolvidas na construção da Vitrine. Ela é uma das responsáveis por trazer ao grupo a área de produção de organismos aquáticos. Este foi o segundo ano da experiência. “A Vitrine é o local de exposição das tecnologias que desenvolvemos em campo, de diálogo com quem visita o Show Rural e de fortalecimento de laços entre as entidades, de planejar e fazer coletivamente”, resume.

Para além das fronteiras do Show Rural

Um dos destaques deste ano na Vitrine foi o plantio direto de hortaliças (SPDH). A técnica compôs uma das 11 áreas apresentadas. Em 2020, o grupo de trabalho da Vitrine pretende estimular o seu desenvolvimento, pois ainda não há na região sistemas de produção que adotam os princípios de manejo do SPDH. O plano é constituir um grupo regional para estudar e implementar a iniciativa no Oeste do Paraná.

Para Hartmann, além de envolver ainda mais pessoas e incentivar novas técnicas de cultivo, outros desafios se apresentam. “Precisamos assumir responsabilidades para termos a capacidade de construirmos novos resultados”. Um deles é a promoção de dinâmicas de apoio para a Alimentação Escolar Orgânica.

“É um direito de nossas crianças ter um alimento saudável que gere saúde física e mental. As entidades públicas e privadas, em conjunto com as organizações de agricultoras e agricultores familiares, precisam constituir uma dinâmica metodológica que oportunize geração de conhecimentos, tecnologias e experiências para ampliarmos a base de produção capaz de atender a demanda da alimentação escolar e de outros mercados”, finaliza.

História

A Vitrine começou em 2003 a partir do trabalho de técnicas e técnicos e pesquisadoras e pesquisadores em instituições públicas que não queriam trabalhar na dinâmica de agricultura convencional, e foram construindo iniciativas na perspectiva agroecológica.

Texto: Diangela Menegazzi
Fotos: Diangela Menegazzi e Micheli Becker