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Famílias agricultoras tem novo ponto fixo de comercialização

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Famílias agricultoras tem novo ponto fixo de comercialização

Pelotas – RS – Na última quarta-feira, 04, nove famílias agricultoras familiares de Arroio do Padre e Pelotas inauguraram um novo ponto de feira em Pelotas. Fruto da Chamada Pública de Diversificação em ATER, executada pela FLD/CAPA – Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, a feira permite que as famílias produtoras, que estão em processo de transição agroecológica e diversificando a produção nas suas propriedades encontrem um canal direto de comercialização dos seus produtos.

Segundo o Engenheiro Agrônomo do CAPA, Márcio Morales, que atende as famílias no processo produtivo, auxiliar as famílias na formatação de uma feira era fundamental para a viabilidade da produção e também faz parte da vocação do CAPA que é de auxiliar os agricultores em todas as etapas que envolvem o alimento, desde a sua produção até a chegada na mesa dos consumidores. “Esse grupo surge a partir de um trabalho do CAPA, através da chamada pública da Anater para diversificação em áreas cultivadas com tabaco, então muitos desses agricultores estão na etapa de transição do cultivo do tabaco para a produção de alimentos de forma ecológica. O CAPA tem na agroecologia o cerne do seu trabalho, então essa feira é uma materialização desse trabalho”, afirmou Márcio.

A agricultora e coordenadora do grupo Serra dos Tapes, Verenice Beiersdorf Weber comemorou a inauguração e relembrou o processo de criação da feira. “Esse processo começou quando o CAPA nos trouxe o projeto de diversificação, o Márcio sempre nos motivava a produzir de forma ecológica, mas tínhamos insegurança quanto a comercialização, daí surgiu a ideia da feira que é uma forma de vendermos os produtos diretamente para o consumidor”, explica Verenice.

A feira, que acontecerá todas as quartas-feiras, levará à população pelotense uma grande variedade de verduras, frutas, legumes, sucos, panificados, temperos, chás, entre outros produtos da agricultura familiar.

A estrutura da feira agroecológica foi viabilizada com projeto encaminhado pela Comunidade Kilombola do Algodão, através do Programa de Pequenos Projetos, da Fundação Luterana de Diaconia, e prevê ainda a implantação de uma segunda feira agroecológica envolvendo a própria Comunidade do Algodão e outra da Comunidade Kilombola do Monjolo.

 

Chamada Pública de Ater

Atualmente, o CAPA Pelotas está executando a 3ª Chamada Pública com enfoque na diversificação produtiva em áreas cultivadas com tabaco. A primeira ocorreu em 2012. Nesta chamada Pública, são atendidas 960 famílias, evolvendo os municípios de Amaral Ferrador, Arroio do Padre, Canguçu, Pelotas, São Lourenço do Sul e Turuçu.

Esse processo faz parte do tratado internacional de saúde pública, intitulado como Convenção Quadro para o Controle do tabaco – CQCT, ratificado pelo Governo Federal em 2005 e com o compromisso de garantir apoio aos agricultores familiares, através do Programa Nacional de Apoio à Diversificação Produtiva nas Áreas Cultivadas com Tabaco.

Atualmente, 150 mil famílias cultivam tabaco no Brasil e somos o 2º maior produtor mundial, atrás da China. Há pouco mais de 15 anos eram mais de 200 mil famílias. Mas, por conta de medidas restritivas ao consumo do cigarro e que estão sendo adotadas no mundo inteiro, é provável que mais famílias sejam excluídas do processo que envolve a integração junto às empresas de tabaco.

Assim, se torna fundamental cumprir os artigos 17 e 18 da Convenção Quadro:

Art 17: “As Partes, em cooperação entre si … promoverão conforme proceda alternativas economicamente viáveis para os trabalhadores, os cultivadores …”.

Art 18: “… as Partes concordam em prestar devida atenção, no que diz respeito ao cultivo do tabaco e à fabricação de produtos de tabaco em seus respectivos territórios, à proteção do meio ambiente e à saúde das pessoas em relação ao meio ambiente”.

Torna-se imprescindível que famílias que ainda tem a sua maior renda do tabaco possam ser apoiadas para construir alternativas economicamente viáveis ao seu cultivo e que permitam a diversificação da renda, acesso a outros mercados, como feiras, PNAE e PAA e por consequência, menor dependência desses agricultores a uma única cultura agrícola.

Na região, busca-se que famílias possam ter acesso a informações sobre outras culturas produtivas, através de visitas de intercâmbios, cursos e reuniões técnicas, dias de campo e outras atividades de formação e possam optar por ampliar a diversificação produtiva e buscar através de cooperativas parceiras ou mesmo a venda direta de sua produção alternativas de diversificação produtiva de base agroecológica.

Fotos: Elias Wojahn/CAPA Pelotas