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CAPA apoia Grupo de mulheres Ana Primavesi

Grupo de mulheres agricultoras do MST opta pela Agroecologia e recebe apoio do CAPA de Verê para desenvolver quintais agroflorestais, trabalhar como guardiãs de sementes e construir uma estufa de mudas. Mesmo vivendo sem água encanada e luz elétrica, o coletivo demonstra sua força e solidariedade ao produzir, de maneira voluntária, barras de sabão ecológico para serem distribuídas a comunidades kilombolas.

Responder a um edital da FLD aproximou o CAPA/Núcleo Verê/PR de um grupo de mulheres de Clevelândia/PR, que vivem em um acampamento do MST. “Desde o início construímos o projeto junto com elas. Desta partilha vieram as bases do trabalho em Agroecologia e o nome do grupo: Ana Primavesi”, ressalta Jeniani Lima, Engenheira Florestal e técnica do CAPA Verê que assessora do grupo.

O edital que originou o Ana Primavesi destinou recursos para quinze Quintais Agroflorestais: Mulheres cultivando a Agroecologia, expressão que deu o nome ao projeto. “Em agosto iniciamos a construção de um quintal para cada família do acampamento”, conta Jeniani. “Em espaço muito pequeno, uns cem metros quadrados, será colocado em prática os princípios da Agroecologia. Respeitar os ciclos da natureza, fomentar a diversidade de cultivos, produzir alimentos saudáveis, observar as espécies mais adaptadas ao local fazem parte deste aprendizado coletivo.”

Mesmo vivendo em um local sem rede elétrica nem água encanada, além do envolvimento com os quintais, três integrantes do grupo aceitaram o desafio e passaram a ser guardiãs de sementes. Elas realizaram oficinas e receberam sementes da RESA (Rede de Sementes de Agroecoogia do Paraná), da qual o CAPA faz parte.

Guardiãs Lourdes Spagnol Belusso (à esquerda) e Thais Regina Elias recebendo sementes

Outra proposta em andamento coordenada pelo CAPA é a construção de estufas para a produção de mudas. Esta ação recebeu o apoio de Mission EineWelt – ELKB. As mudas serão destinadas aos quinze quintais das famílias acampadas e às hortas comunitárias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Desde março, o MST iniciou uma campanha de doação de alimentos para a população mais afetada pela pandemia de Covid-19 e passou a estimular a implantação de hortas comunitárias para produzir alimentos nos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária.

Solidariedade na partilha de trabalho e alimentos

Acampadas no município de Clevelândia/PR há mais de cinco anos, as famílias convivem com a ameaça de serem despejadas. No mês de setembro de 2019, uma ordem judicial autorizou o despejo. Em uma ação coletiva, as famílias fizeram uma caminhada até o fórum municipal levando alimentos produzidos no acampamento para doar à famílias urbanas carentes. Após essa ação, o juiz suspendeu o despejo.

“A solidariedade é um valor muito cultivado pelas famílias do Acampamento Terra Livre, sendo a doação de alimentos a famílias urbanas e entidades assistenciais uma prática permanente desde o início do acampamento”, comenta Janiani.

Em 2019, a organização interna do MST possibilitou a integrantes do Terra Livre um processo formativo chamado Escola de Mulheres que promove a formação política e técnica das agricultoras para que elas ocupem seu espaço na sociedade. A partir dessa formação nasceu o Coletivo de Mulheres do acampamento.

Considerando os novos desafios que vieram com pandemia de Covid-19, em agosto de 2020, o grupo ofereceu-se para produzir sabão caseiro a ser incluído nas cestas destinadas a comunidades kilombolas do município de Palmas/PR. Para viabilizar essa ideia, Jeniani  conta que foi elaborado um projeto emergencial pedindo apoio à FLD e, assim, o CAPA disponibilizou a matéria-prima para a produção dos sabões.

“Além de realizar essa atividade voluntária, as mulheres fizeram uma etiqueta para identificar sua produção”. Para reforçar e divulgar ainda mais a identidade coletiva, será criada uma arte com o nome do grupo: “e daqui para frente poderemos ter camisetas e outros materiais que expressem para o mundo a força do trabalho das mulheres na Agroecologia”, aponta Jeniani.

Coletivo criou etiqueta para divulgar trabalho e fortalecer sua identidade

Texto: Cláudia Dreier para o Jornal Recado da Terra, Edição Primavera 2020
Fotos: Arquivo Coletivo Ana Primavesi