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“Fiz minha escola acreditar na Agroecologia”
12 de agosto de 2018 zweiarts
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Marechal Cândido Rondon/PR – “Na nossa região, o CAPA está sendo bastante atuante. Aqui em casa, já recebemos visitantes da Alemanha e de outros locais. A assistência é boa, incentivam bastante a participação de jovens do interior, dão apoio técnico na produção e não deixam famílias agricultoras desanimarem“, comenta Aline Natana Alves, de 19 anos. “Há quatro anos deu uma requeima na produção de tomates e pensamos em desistir da agricultura, mas o CAPA não deixou isso acontecer”.

Na escola onde cursou o ensino médio, tanto professoras e professores, como colegas, não acreditavam que era possível produzir milho, trigo e soja fora do sistema convencional, relata a jovem agricultora Aline Natana Alves.

O ano era 2015, no Colégio Estadual do Campo Margarida, no distrito com o mesmo nome, em Marechal Cândido Rondon (PR). “A única que me apoiava, dando forças para eu trazer alimentos orgânicos e tentar convencer a comunidade escolar era minha amiga Angélica”.

Aline foi procurar a pedagoga da escola, explicando a situação de descrença geral e fazendo um convite para a escola visitar a Feira de Alimentação Saudável que estava acontecendo pela primeira vez no distrito, com a participação da família dela. Katherine acolheu a ideia e passou em todas as salas do colégio para fazer a divulgação. “Meus colegas zombaram de mim.”

Em casa, ao comentar os acontecimentos, a família lhe deu apoio e “buscamos soja, trigo e milho no moinho ecológico. No dia seguinte levei e mostrei a todas e a todos. Olharam, acreditaram, mas não estavam realmente convencidas e convencidos” desabafa Aline.

Em 2016, a jovem acompanhou sua mãe ao município de Palotina (/PR), em uma visita de certificação orgânica da Rede Ecovida. “Fiz algumas fotos. Na produção de soja convencional, o tamanho das plantas chegava no meu joelho. Nas imagens de soja cultivada no sistema agroecológico, a plantação era da minha altura, um metro e meio. Quando mostrei as fotos, aí sim: finalmente passaram a acreditar de verdade.” Naquele ano a agricultura orgânica foi o tema da Mostra de Trabalhos Escolares.

Há dez anos, sua família produz alimentos orgânicos, estando certificada desde 2011. Hortaliças, melado, mamão, carambola, limão, acerola, pêssego e jabuticaba são vendidos de porta em porta, oferecidos na ACEMPRE e comercializados no Programa de Merenda Escolar.

“Tinha interesse em fazer Agronomia, mas na nossa região não há mercado para as mulheres, são raras as empresas que as contratam” conta Aline. “Como minha mãe trabalhou 20 anos em hospitais, vou seguir seus passos e no ano que vem inicio o curso Técnica em Enfermagem”.

Texto: Cláudia Dreier / Foto: Arquivo CAPA