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Cientistas e movimentos lançam carta proposta por outro modelo agrícola
31 de julho de 2012 zweiarts
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Os mais de 300 participantes do Seminário de Enfrentamento aos Impactos dos Agrotóxicos na Saúde do Trabalhador e do Ambiente, realizado nos dias 31 de julho a 1º de agosto na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), produziram uma carta aberta ao final do evento, em que fazem um balanço da atividade – problemas à saúde e ao meio ambiente causados pelo uso dos agrotóxicos na agricultura – e apontam, entre outras providências, a necessidade de investimento público em pesquisas destinadas à produção de alimentos de base agroecológica, a partir da conclusão de que não existem níveis seguros para a utilização de venenos agrícolas nas lavouras.

O Seminário de Enfrentamento aos Impactos dos Agrotóxicos na Saúde do Trabalhador e do Ambiente reuniu profissionais de ciências agrárias e da saúde, técnicos de extensão e assistência técnica, militantes dos movimentos sociais, estudantes de graduação e de escolas técnicas, professores universitários, trabalhadores da Embrapa e de outras instituições de pesquisa extensão e ensino. Além dos aspectos combativos aos agrotóxicos, foram discutidos e propostos outros modelos de desenvolvimento agropecuário, com ética e respeito a todas as formas de vida, possibilitando, sobretudo, a troca de experiências entre a esfera acadêmica e o saber popular (na foto em destaque, da esquerda para direita:  Adão Noguês, presidente do SINPAF Sessão Sindical Embrapa Clima Temperado e presidente do seminário, Patrícia Lovatto, bióloga do CAPA e articuladora da Campanha Contra os Agriotóxicos e pela Vida, Roni Bonow, engenheiro agrônomo do CAPA, e os três agricultores vinculados ao CAPA que apresentaram suas experiências no seminário –  Loro Natal Bosenbecker, da SULECOLÓGICA, Nilo Schiavon, da ARPASUL, e Norma Krumreich, da SULECOLÓGICA.

Além disso, o evento contribuiu para a formação crítica e técnica dos participantes com relação à temática, “Agrotóxico Mata”, proporcionando ainda a integração e articulação entre os participantes. “A atividade é um marco histórico e um exemplo de trabalho conjunto entre SINPAF, Embrapa Clima Temperados e movimentos sociais para debater novos rumos para a pesquisa e extensão voltadas à produção de alimentos saudáveis, com respeito ao ambiente de trabalho e à vida, inaugurando novos espaços livres e democráticos de participação social e de apresentação de demandas desafiadoras para formulação não apenas de pesquisas como de políticas públicas integradas e capazes de promover a vida em vez de atender apenas os interesses econômicos de poucos”, avalia Vinícius Freitas, presidente da seção sindical Hortaliças e integrante da coordenação da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

O seminário coaduna com o Plano de Lutas do SINPAF, que propõe discutir o modelo de desenvolvimento e a saúde dos trabalhadores da pesquisa agropecuária junto à sociedade.

CARTA DE PELOTAS/RS

Integrantes dos movimentos sociais do campo, empresas públicas de pesquisa, assistência e extensão rural, estudantes e o movimento sindical dos trabalhadores da pesquisa e desenvolvimento agropecuário presentes ao 1º Seminário Regional Sul de Enfrentamento aos Impactos dos Agrotóxicos à Saúde e ao Meio Ambiente, realizado no período de 31 de julho a 1º de agosto de 2012, trocaram experiências e saberes sobre os impactos do uso dos agrotóxicos na saúde dos agricultores, consumidores e trabalhadores da pesquisa e desenvolvimento agropecuário no Brasil.

Sob o ponto de vista dos participantes, as reflexões feitas apontam para a ampliação e o fortalecimento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida nos vários espaços da sociedade.

O debate sobre o uso desses venenos traz à tona a discussão sobre o modelo de desenvolvimento no campo e na cidade que explora e adoece as pessoas, que degrada o meio ambiente, os recursos naturais e as relações sociais.

As reflexões feitas concluíram, centralmente, que não há uso seguro e manejo adequado de agrotóxicos; que é preciso haver mais pesquisas e estudos sobre as doenças por eles causadas; que deve haver mais investimento em políticas públicas que respeitem a vida humana e o ambiente; que a Embrapa deve desenvolver mais pesquisas e ter mais recursos destinados à produção de alimentos de base agroecológica e, por fim, que é preciso articular espaços de reflexão para construção de conceitos e valores que primem pelo bem viver.

Os relatos feitos pelo(a)s agricultore(a)s que produzem alimentos saudáveis em bases agroecológicas mostraram que é possível gerar renda respeitando a natureza e a si mesmos enquanto seres humanos. No decorrer das discussões, verificou-se a necessidade de ampliar a educação contextualizada nas universidades, nos centros de pesquisa e extensão rural, tanto em relação ao uso de venenos quanto sobre a necessidade de libertação reflexiva dos modelos monopolizadores, assim como o uso de alternativas e a perspectiva de pesquisas que ampliem a produção agroecológica – respeitando a ética da vida e não a conformação de novos pacotes que privilegiem apenas o mercado, que deterioram a saúde do trabalhador e da natureza.

Assinalou-se, ainda, a necessidade e a possibilidade técnica e legal de estabelecimento de parcerias junto às secretarias ambientais dos estados para o mapeamento das áreas com produção agroecológica, a fim de protegê-las contra a pulverização aérea. Também foi reforçada a necessidade de ampliação da luta pelo banimento dos agrotóxicos já banidos em outras regiões do mundo e da utilização do dia 3 de dezembro como marco da Campanha, com a realização de atividades em todo o Brasil.

Sugerimos, finalmente, que nos espaços onde seja discutida a temática dos agrotóxicos priorize-se a alimentação ecológica produzida pelos agricultores da região que sedia o evento, e que a espiritualidade componha a programação dos eventos relacionados à Campanha – de forma a valorizar a poesia, a música, as artes, os valores culturais e éticos do(a)s trabalhadore(a)s e agricultore(a)s.

Pelotas, RS, 1º de agosto de 2012, Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário – SINPAF

Assinam a carta:

  • Embrapa Clima Temperado
  • SINPAF/Seção Sindical Pelotas
  • SINPAF/Seção Sindical Bagé
  • SINPAF/Seção Sindical Passo Fundo
  • SINPAF/Seção Sindical Londrina
  • SINPAF/Seção Sindical Florestas
  • SINPAF/Seção Sindical Solos
  • SINPAF/Seção Sindical Hortaliças
  • SINPAF/Seção Sindical Pará
  • SINPAF/Seção Sindical Cruz das Almas
  • Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA
  • Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER
  • Fórum da Agricultura Familiar do Território Zona Sul
  • Setorial de Mulheres do Território Zona Sul
  • Associação dos Produtores Agroecológicos da Região Sul – ARPASUL
  • Cooperativa Sul Ecológica de Agricultores Familiares Ltda – SULECOLÓGICA
  • Cooperativa dos Apicultores e Fruticultores da Zona Sul – CAFSUL
  • Universidade Federal de Pelotas – UFPEL
  • Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SEMA/RS
  • Comitê Nacional da Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida
  •  Comitê Estadual da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida – RS
  • Rede de Acción ao uso de Plaguicidas y sus Alternativas na América Latina
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA
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