CENTRO DE APOIO E PROMOÇÃO DA AGROECOLOGIA

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Doença da folha verde atinge centenas de pessoas que vivem da plantação de tabaco

4-10-2016

Pelotas/RS - Matéria veiculada no dia 3 de outubro, no programa Domingo Espetacular, da TV Record, e divulgada pelo site de notícias R7, evidencia os efeitos sofridos por agricultoras e agricultores pelo contato diário com a produção de tabaco.

Segundo a reportagem, pessoas que trabalham com a planta podem conter 50 vezes mais nicotina no sangue do que uma pessoa fumante. Isso acontece por meio da absorção pela pele. "Depois que as substâncias entram na corrente sanguínea, passa pelo fígado e chega no cérebro, desenvolvendo a doença da planta verde", explica a médica e especialista em efeitos da folha verde, Ana Fassa.

Os indícios mais frequentes são náuseas, vômitos, dores fortes de cabeça, coceiras e cansaço intenso. Desde 2011, 271 casos da doença da folha verde foram registrados no Rio Grande do Sul, número que deve ser maior, uma vez que os sintomas são comumente confundidos com intoxicação pelo uso de agrotóxicos, outro problema que assola a região.

Segundo a coordenadora do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA/Núcleo Pelotas), Rita Surita, para ampliar a produção de tabaco, empresas seduzem as famílias com promessas de melhoria de vida. A ideia é facilitada quando se oferece um pacote tecnológico e de insumos, junto com crédito fácil.

Porém, ao longo dos últimos 20 anos, muitas produtoras e produtores começaram a se endividar, como é o caso seu Irio e da dona Flora, que aparecem na reportagem. Além dos sintomas da doença, seu Irio foi diagnosticado com pressão alta e depressão e uma dívida de mais de R$ 40.000,00, adquirida no tempo que não pode trabalhar para tratar da saúde.

A partir da participação do projeto de Apoio à diversificação produtiva nas áreas cultivadas com tabaco para o desenvolvimento rural sustentável e segurança alimentar, executado pelo CAPA, a família mudou de vida. A estufa, onde se depositava o fumo, virou depósito para espigas de milho. O terreno que antes abrigava o tabaco, agora oferece verduras, legumes e tem espaço para a criação de gado leiteiro.

Assista a reportagem: