CENTRO DE APOIO E PROMOÇÃO DA AGROECOLOGIA

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Delegação estrangeira conhece práticas agroecológicas

1-11-2015

CAPA_Delegação Venâncio Aires_Santa Cruz 1

Troca de ideias e conhecimentos sobre a realidade e vivências de agricultoras e agricultoras foi oportunizada, no dia 23 de outubro, pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) núcleo de Santa Cruz do Sul (RS), a um grupo de dez pessoas, entre eles diáconas e diáconos da Austrália, Canadá, EUA e Brasil. A visita fez parte de uma série de outras, proporcionada às e aos participantes da  13ª Conferência de Diaconia das Américas e Caribe (Dotac, sigla em inglês), organizada pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), em Porto Alegre (RS), entre os dias 21 e 25 de outubro. 

O tema da conferência desse ano foi “Diaconia de Jesus: de migalhas à comunhão integral”, o qual teve estreita relação à visita feita a duas propriedades de agricultores ecologistas do grupo O Eco da Vida, que residem na cidade de Venâncio Aires (RS). Ali, o grupo pode conhecer a história de vida e forma de produção ecológica do jovem casal jovem casal assessorado pelo CAPA, Anderson Richter e Micaela Hister. Após as apresentações, incluindo a fala do coordenador do CAPA em Santa Cruz do Sul, Sighard Hermany, todas e todos foram convidadas e convidados a conhecer o cultivo de hortaliças, morango e temperos.

No roteiro de visitação estavam também a propriedade da família de Clécio e Lori Weber e a da presidenta da cooperativa Ecovale, Teresinha Weber, que ofereceram um almoço com prato típico do município, a galinhada, acompanhada de uma rica diversidade de saladas, todos produtos ecológicos, a maioria colhida no local. 

Clécio e Lori explicaram o contexto histórico do grupo O Eco da Vida, revelando que no começo participavam de um grupo da Pastoral da Terra. Ao decidirem adotar a produção orgânica, em 2002, juntamente com mais seis famílias, passaram a ser acompanhados pelo CAPA. Teresinha contou que a Ecovale, que completou 15 anos recentemente, possui 55 associados, sendo 22 mulheres. Explicou também a forma de comercialização dos produtos orgânicos, comercializados na loja localizada no centro de Santa Cruz do Sul, junto do prédio do CAPA. No mesmo local, acontece a feira agroecológica, sempre nas terças e sextas-feiras, além das duas em Venâncio Aires. 

Entre os desafios estão o aumento da produção e a ampliação de mercados de comercialização, disse Teresinha. Atualmente, a família Weber trabalha com produção em derivados de cana-de-açúcar, como melado, schmier colonial e açúcar mascavo, e também na parte de hortigranjeiros.

No grupo de visitantes estava Vilma Linda Reinar, ministra luterana em São Leopoldo (RS). Perguntada sobre a Conferência das Américas e do Caribe e seu respectivo tema, ela descreveu que os encontros acontecem a cada quatro anos, em um país da região da América Latina e Caribe, com partilha de conhecimentos sobre atividades e trabalhos diaconais, que buscam promover a superação da desigualdade social e o respeito aos Direitos Humanos. A troca de experiências possibilita o aprendizado mútuo, de forma ecumênica, com um público que congrega pessoas anglicanas, metodistas e luteranas, complementou Vilma.

Para a diácona australiana, Sandy Boyce, ver o trabalho das duas famílias agricultoras ecológicas foi gratificante. “Práticas agrícolas tradicionais têm muito a nos ensinar no século XXI, e podemos voltar a elas, pois sustentam o solo e não ameaçam a saúde das pessoas. É uma questão global. As agricultoras e agricultores que conheci aqui são, sem dúvida, uma grande parte desta mudança.” 

Nathana Guedes / CAPA Santa Cruz do Sul