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​Consórcio de abelhas sem ferrão e produção de frutas aumenta renda de agricultoras e agricultores

30-08-2016

Erexim/RS - O trabalho de manusear abelhas sem correr o risco de levar ferroadas é realidade na região do Alto Uruguai (RS). As abelhas sem ferrão estão presentes em quase todos os municípios da região, sem haver um levantamento oficial indicando qual a produção. A atividade não é tão recente, mas ainda também não está concretizada de acordo com o engenheiro agrônomo da Emater Regional, Valmir Dartora.

Segundo ele, muitos produtores optam por esta atividade como hobby ou como prática complementar das atividades rurais, que não tem como produção principal a produção de mel. Como a produção de mel é inferior do que a produção Apis, apesar de ser muito mais rentável, os produtores direcionam sua criação de abelhas para outros objetivos, entre eles a polinização.

Produtoras e produtores familiares, que têm consórcio de abelhas sem ferrão e produção de morangos, podem ter aumento na produção do fruto de até 20%, devido à polinização do morango. Este é o caso do produtor rural Evando Cantelle. Ele conta que seu avô e seu pai já trabalhavam com abelhas Apis e depois incluíram uma espécie sem ferrão (Jataí).

Ele sempre acompanhou os trabalhos. Mas foi em 2014, quando participou de uma palestra ministrada pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) que começou a adquirir outras espécies. “A partir deste curso comecei a ter mais conhecimento sobre o assunto e buscar por outras espécies. No começo foi para ter uma coleção mesmo, por hobby”, diz.

Hoje ele possui 115 caixas com 15 espécies de diversos estados do país, desde Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e das regiões Norte e Nordeste e do Amazonas. “Cheguei a pensar em produzir mel para comercializar, pois no início produzimos para consumo próprio. A produção é pequena, 2 a 3 quilos por caixa, enquanto que a abelha com ferrão a produção é de 25 a 30 quilos por ano. Já o valor do quilo também tem grande diferença: o quilo da Apis vale R$ 25 o quilo, enquanto que o quilo da abelha sem ferrão pode chegar a R$ 100. Mas depois direcionei minha produção para a divisão de enxames”, diz.

Cantelle multiplica os enxames, para depois comercializá-los. “O valor de um enxame varia de R$ 150 até R$ 450. Leva em torno de seis meses para formar um. A divisão é trabalhosa, feita com três caixas da mesma espécie”, explica. O lucro é usado para a aquisição de novas espécies.

Aliado à comercialização de enxames, Cantelle possui 12 hectares destinados à fruticultura – laranja, pêssego, maçã, ameixa e caqui – e a outros produtos, como o chuchu que, com a polinização, aumentou sua produção em 70%.

Rosa Libermam / www.jornalbomdia.com.br / 18 de agosto de 2016